Podcast
Nos últimos dois anos foram vendidos 4 milhões de iPods (sendo 2 milhões somente no último Natal), os aparelhos tocadores de MP3. A categoria podcasts foi introduzida no prêmio Webby Awards 2006, considerado o Oscar da Internet e idealizado pela Academia Internacional de Ciências e Artes, sendo o vencedor “podcasts.yahoo.com”. Para o título “science”, a pesquisa realizada hoje no site vencedor resultou em 20.223 podcasts diferentes em todo planeta...sabem quantos brasileiros? Nenhum! Podcasting é uma forma de publicação de programas de áudio, vídeos e fotos, pela Internet, que permite aos utilizadores acompanhar a sua atualização. Já o termo “podcast” é creditado a um artigo do jornal britânico ‘The Gardian’ (de 12.02.04); e, o conceito, ao ex-VJ da MTV Adam Curry, que criou o primeiro agregador de podcasts (usando applescript) e disponibilizou o código na internet. Dave Winer incluiu o enclosure (um elemento na especificação RSS 2.0), que possibilitou o uso do podcast. O que impera nos podcasts são músicas, porém há muito as Universidades descobriram este fomarto, utlizando-o como complementação de seus trabalhos acadêmicos. Este foi o berço dos podcasts de ciência. Atualmente, há de tudo na listagem: desde podcasts particulares, ONGs, Sociedades Científicas, Revistas Científicas conceituadas e indexadas, Magazines, representantes de diferentes religiões defendendo os aspectos de suas visões frente à ciência, Canais de Televisão especializados em ciências e cultura em geral, além de Governamentais.
O formato também é diverso: relato de notícias das últimas descobertas acadêmicas, entrevistas, artigos científicos comentados, debates, respostas de perguntas recebidas por e-mail, explicações didáticas sobre algum tema da atualidade, ou atualização à distância, para médicos, por exemplo; que podem conter humor ou não, com jingles inicial e final, ou não. Quanto às áreas, tudo o que vocês possam imaginar, das grandes áreas das Ciências, às subespecialidades. Basta paciência, capacidade de memória no seu computador, ouvidos atentos e domínio de outro idioma, preferencialmente o inglês. A mais recente inovação ocorreu em 20.04.06, com a inauguração do primeiro Podcast Interativo, pelo site Waxxi (http://www.waxxi.us/), em que o público, previamente cadastrado, participava de um debate em tempo real. Com tantas opções para a divulgação científica, com o mundo achando que só ouvir ficou obsoleto. Por que nós brasileiros conseguimos criar sequer um único podcast de ciência?
Escrito por Silvia Cléa às 14h54
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H.N.
Ao contrário do que muitos possam pensar, ela não nasceu privilegiada. Como é característico a todo recém-nascido, sua formação se deu, basicamente, através da observação.
A curiosidade infinita de todos que a ela se dedicaram concluiu que o mundo era finito (ao alcance de sua visão); acima dele estaria Deus (o criador de tudo e de todos) e abaixo (no centro da terra), o Inferno (tal qual descreveria mais tarde Dante Alighieri) – o que ia ao encontro de todas as estórias e lendas que há muito se ouviam passar por gerações.
O homem e, conseqüentemente, a Terra, eram o centro do Universo. Tudo era composto por 4 elementos fundamentais: ar, fogo, água e terra – dependendo da proporção da composição, o elemento primordial resultante faria com que o objeto tivesse um movimento ascendente ou descendente em relação à Terra.
À medida que ela foi crescendo, começou a falar! – atualmente, não imaginamos como isso possa ter sido um problema, mas foi, e dos grandes...
Naquela época não existia o papel ou correlatos (mesmo a pele de carneiro era muito pouco divulgada e o papiro não tinha sido amplamente divulgado; mais escassos ainda aqueles que dominavam algum tipo de escrita).
Assim, a divulgação se dava através da comunicação oral, que era extremamente diversificada em sítios muito próximos (povos a cerca de 20 km se expressavam por dialetos completamente diferentes).
Então, aconteceu um fato, que poucos se deram conta, nossa protagonista teve que se tornar essencialmente urbana!
Sim, as cidades precisaram estar constituídas, para que as pessoas, pelo menos falassem a mesma “língua” e tivessem os mesmos interesses (ou curiosidades), para que nossa protagonista se desenvolvesse.
Conseguiram, então, partir para um novo momento, confrontando idéias e debatendo pontos de vistas. Foi assim que, literalmente, o mundo “virou”!
Quando as experiências passaram a utilizar instrumentos, tudo foi potencializado, principalmente a curiosidade e as hipóteses daí advindas: mas foi com a luneta que a principal mudança começou.
Entendeu-se o Universo como infinito, o sol como centro da galáxia (até então, o Universo); e, todas as mudanças filosófico-culturais daí resultantes. Acreditem, foi uma reviravolta e tanto!
Aliás a prática de experiências era efervescente! Todos chamados à apresentação de uma nova descoberta ficavam maravilhados com as tentativas, quer resultassem positivas ou não.
Porém, como aplauso e vaidade são quase simultâneos...os desígnios iniciais foram alterados: a população, que participava ativamente da comprovação de uma dada experiência nova, foi simplesmente rechaçada; foram criadas sociedades, que passaram a disputar, entre si, não mais por servir à H.N., mas por prestígio (àquele, que também acaba resultando dos aplausos).
Muita, muita coisa se passou desde então. A H.N. cresceu, está madura, e ao ser registrada, recebeu a nova identificação: Ciência.
Agora ela chora, ao ver tantos cientistas éticos que não conseguem fundos para desenvolver seus trabalhos adequadamente; e, por tantos jornalistas, que sem entendê-la ao certo, generalizam a todos que lhe servem com alcunhas de “antiéticos” e “incompetentes”.
Pobre Ciência...
Escrito por Silvia Cléa às 13h32
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