Roda de Ciência: Ciência X Divulgação Científica

O tal “X” da questão me incomodou desde o princípio: por que colocar a ciência em posição adversária à sua divulgação? Um erro essencial que, além de ocorrer, mostra a disputa entre categorias.

À medida que a ciência foi se dividindo, sub e superespecializando, a comunicação entre aquela e público leigo distanciou-se, devido, principalmente, ao seu caráter abstrato e matemático.

Atualmente, a ciência moderna, enquanto resultado de teoria e experiência, tem sua linguagem própria, o que faz com que a população não compreenda mais o que significa fazer ciência: quais são seus métodos de investigação; seus critérios de exclusão (ciência X pseudociência); ou a compreensão de seu impacto na sociedade.

Assim, ao mudar o conceito de ciência no decorrer dos séculos, o conceito de divulgação científica também seguiu tal alteração. Não se pode falar mais de uma função educacional / didática, sequer de um aspecto vocacional. Há quem diga que divulgar é traduzir, ou mesmo, dar subsídios à cultura.

No entanto, uma grande corrente aceita que a função da divulgação é “recriar” o conhecimento científico, mantendo-se fiel aos conceitos da ciência.

Cabe, então, ao divulgador científico, manter o leitor atento ao texto: a isto se chama prazer! Através de um texto “recriado” serão compartilhadas novidades em ciências, com pessoas inteligentes (quer tenham algum grau de educação formal ou sejam livre-docentes).

Ao escrever, deve-se pensar no público-alvo, em cativá-lo. Mas ao subestimá-los em sua inteligência (mesmo que sutilmente), isto pode levar a perdê-los como leitores, para sempre. O que é um erro crasso, que todos divulgadores devem evitar (e temer!).

Porém, a maneira como cada leitor é “fisgado” e qual é o seu ponto de identificação com o texto depende de vários fatores. Cada leitor terá uma específica “interpretação” que depende de sua história de vida (formação, leituras, vivências). O que, atualmente, é denominado, nas correntes modernas literárias: Teoria da Recepção, ou seja, a obra só se concretiza a partir da leitura e cada leitura tem, por sua vez, suas características idiossincráticas (dependente do leitor).

Voltando à questão específica da divulgação científica, necessitará o divulgador de concentração nos conceitos científicos (aos quais está restrito) e bastante poder criativo para fisgar os diferentes públicos-alvo, de maneira a prender-lhes a atenção, de maneira prazerosa, durante sua exposição de tais conceitos: isso é recriar!

Como vimos, não parece tarefa fácil: dominar conceitos científicos e as diferentes artimanhas dos recursos literários.

Mais trabalho e menos adversidades...de pessoas e de categorias.



Escrito por Silvia Cléa às 20h55
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Cadê o pão da minha sopa???

(By Lexinatrix

    A partir de hoje, Plutão perde seu "status" de planeta...assim, minha velha, quando trouxer o meu jantar: a sopa, a uva e a noz; pode esquecer do pão!...

    Astrônomos, reunidos em Praga (6th General Assembly of International Astronomic Union), decidiram, através de votação, as novas orientações para se classificar um objeto como planeta. Tal fato fez, automaticamente, com que Plutão se transformasse em planeta-anão.

    O nosso Sistema Solar passa, então, a ter 8 planetas e um grupo ainda sem nome definido, constituído por vários planetas-anões, dentre os quais, Plutão, Ceres e Xena (ou 2003 UB313). Como disseram alguns astrônomos, essa foi a oportunidade que a própria ciência teve para corrigir seus erros do passado...

    Agora, vejamos qual será a definição desse novo grupo de planetas e quais serão os critérios de inclusão, ou não, neste grupo! O nome "Plutônicos" já fora sugerido e rechaçado, pela associação ao magma, em termos geológicos. Enfim, há muito espaço por vir...    



Escrito por Silvia Cléa às 21h49
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Roda de Ciência

Radial by THEfunkyman

            alguns meses Ana Cláudia propôs que discutíssemos sobre um mesmo tema. A idéia vingou e foi melhorada. O resultado é a Roda de Ciência, um blog centralizador de discussão virtual que reúne, atualmente, 12 blogs de divulgação científica em língua portuguesa.

            As formações são diversas, embora haja uma certa concentração de biólogos, porém, com especialidades bem diferentes, o que os torna bastante diversos também. Há predomínio de brasileiros, que moram no Brasil; mas há portugueses e brasileiros em New York, Providence e na Coréia do Sul.

            O tema do mês é “Ciência X Divulgação Científica”; os posts estão ótimos e podem ser lidos, é seguir o link do Roda, ali em cima ou ao lado (na coluna fixa do blog), em dois ou três dias, chega o meu texto! Aproveitem a leitura dos demais!

 



Escrito por Silvia Cléa às 22h10
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Parati - Festa Literária

A maioria das pessoas que gostam de ler e são bem informadas sabem que esta semana, em Parati, acontece a FLIP, cujo site oficial do evento (http://www.flip.org.br) traz todas informações sobre programação e acomodações.

Porém, a maioria desconhece o fato de que, com o sucesso da festa oficial (e não só por causa disso), houve o desenvolvimento de uma programação de leitura, shows e lançamentos de livros de autores que, digamos, ficaram de fora da edição oficial. Esta festa paralela foi, então, batizada de OFF-FLIP.

Há, também, uma oficina literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, que é realizada por grandes autores brasileiros. Além disso, há uma programação exclusiva para as crianças. Em que jovens estudantes de Parati apresentam resultados de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados: é a Flipinha.

Para finalizar, há o “Tirando de Letra”, uma partida de futebol entre os “Bons de Letra”(escritores convidados da FLIP) e “Bons de Bola” (seleção de jogadores paratienses), que acontecerá no domingo, dia 13 de agosto, às 10 horas da manhã, no Estádio Municipal.

Abaixo segue, em primeira mão, o poema de Leandro Leite Leocádio, que participará da OFF-FLIP e da partida “Tirando de Letra”. É poeta, contista, ilustrador e cartunista. Nunca freqüentou qualquer escola de arte, tendo começado a desenhar e escrever por iniciativa própria desde tenra idade. Expôs em 1993 e 95, no Centro Cultural São Paulo, cartuns a nanquim, aquarela e guache na H.Q. Brasil da Academia Brasileira de Artes (ABRA). Formado em direito, foi colaborador de O Pasquim 21, além de escrever para diversos sites, jornais e revistas.

A NOZ

Ilusão atroz
De quem traz a noz
Fechada de dor
Deste meu amor.

Trata-se de noz
Cuja casca dura,
De larga espessura,
Está entre nós.

Precisa de amor
De forte cutelo,
Que desmanche a casca
Sem deixar farelo.

E, deste recheio,
Deleitar-se-á
No bolo, no meio
Da torta, no chá,

No manjar mais fino,
Com um belo vinho,
Com uma cervejinha,
Sem sair da linha.

Amor bom é este
De apreciar,
Não importa como,
Quando e o lugar.

Amor bom é este
De saborear,
Mas, ai!, não tem jeito,
Tem que descascar.

Escrito por Silvia Cléa às 00h24
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Corredor Literário

 

2o corredor literário

Durante a primeira semana de outubro, conforme divulgou, esta semana, a ABER, estará acontecendo a segunda edição do "Corredor Literário" em toda extensão da avenida Paulista. O evento é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura (através do programa “São Paulo: Um Estado de Leitores”), Associação Paulista Viva e as Subprefeituras de São Paulo. Como na primeira, o intuito é estimular o gosto pela leitura, através do contacto com o livro.

O público terá, gratuitamente, acesso à cerca de 180 atividades culturais relacionadas à leitura, distribuídas por 15 espaços (Alameda das Flores, Casa das Rosas, Colégio São Luís, Conjunto Nacional, Fiesp, Fnac, Esplanada Cetenco, Espaço Cultural da Caixa Econômica, Instituto Cervantes, Instituto Pasteur, Itaú Cultural, Masp, Metrô, Parque Trianon e Sesc), que estarão sinalizados através de totens, idealizados pela agência de propaganda DM9.



Escrito por Silvia Cléa às 19h52
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Volei de Praia

Tempo agradável, praia linda, bola e a turma disposta. Combinação perfeita para uma bela partidinha de volei! Mas não é o que acontece no Borderfield State Park, ao sul de San Diego (CA / USA).

Dentro daquele parque existe uma praia divida por uma cerca de ferro, de 6 m de altura. Além de separar México e Estados Unidos, naquela tarde, a tal cerca serviu de “rede” para a primeira partida internacional de voleibol, entre povos com culturas e realidades completamente díspares, mas que compartilham um mesmo cotidiano cindido.

A experiência é contada no LA Weekly, vale a pena dar uma lida! Utilizaram a tal barreira de maneira criativa. Através do jogo, venceram seus limites, conseguiram aproximação rápida e amigável com os moradores vizinhos. Trocaram experiências e histórias de vida. Divertiram-se. E o mais importante: chamaram atenção da mídia para o problema local. Inteligência pura!

Quem se atreve a dizer que praticar atividade física só faz bem ao corpo???


Escrito por Silvia Cléa às 12h36
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SIGGRAPH 2006

O tema do congresso mundial de computação gráfica, SIGGRAPH 2006, que está acontecendo durante esta semana, em Boston, é “Da idéia à imagem”. Uma bem-sucedida mistura entre academia e entretenimento, este congresso além de conseguir reunir 25 mil pessoas dos mais diferentes países, abre espaço para apresentação de trabalhos e discussões científicas, bem como ao entretenimento, com demonstração de tecnologias de ponta e discussões pertinentes à área da indústria dos jogos e filmes.

As aplicações da computação gráfica são tão abrangentes nas áreas de ciências, que o programa mostra inúmeros trabalhos, desde a observação do solo oceânico até o estudo do corpo humano. Há também cursos durante o congresso. O caráter destes é a interdisciplinaridade, em que especialistas da academia e da indústria demonstram as técnicas mais avançadas, analisam algoritmos complexos e suas aplicações, além de disponibilizar uma correta compreensão da aplicação dos conceitos de computação gráfica e de técnicas interativas. O curso que me chamou mais a atenção, foi justamente aquele voltado às ciências (Ilustrative Visualization for Medicine and Science).

Dentre os trabalhos a serem apresentados, amanhã será dia de um brasileiro, Romero Tori, que, juntamente com 2 outros colegas, João Luiz Bernardes Jr e Ricardo Nakamura, todos da Escola Politécnica da USP, criaram o programa “Interlab 3D”. Trata-se de um curso introdutório de computação gráfica, baseado em um programa (software) interativo de ferramentas gráficas. Sua aplicabilidade, relatam os autores, está vinculada, dentre outras, às ciências e às artes.

Enfim, há um mundo de novidades no referido congresso: discussões sobre ética, viabilidade da legalização da profissão e as inúmeras apresentações das últimas novidades tecnológicas...

Aposto que, quando Brecht falava sobre a aproximação entre arte e ciências, não imaginava que pudéssemos chegar a tanto!

Escrito por Silvia Cléa às 12h28
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