Arte e Ciências

Quando o tema da Roda de Ciências deste mês foi proposto, a primeira idéia que me veio a mente foi criar uma galeria, onde pudesse apresentar adequadamente as “obras” científicas que conseguira garimpar. Posto o intuito, vamos ao resultado, mas aviso aos leitores que não domino os meandros de todas as ferramentas, para permitir um resultado primoroso.
Ao falar em Arte aplicada à Ciência, devido à minha formação, o instrumento básico que se me apresenta é o corpo humano.


Comecemos com o passeio pela obra de Howard Schatz, principalmente, aquela dedicada à Dança, Ação (em que é enfocada a prática esportiva) e o Corpo Humano.
Aprofundando o olhar, emprestamos os conhecimentos do Dr. Gunther von Hagens, que, em 1977, cunhou o termo “plastination”, que é a impregnação por polímero de espécies biológicas perecíveis. De maneira muito resumida e didática, o processo consiste em substituir a água por acetona e, quando esta última estiver evaporando, o corpo é colocado em uma câmara de vácuo; e, então, o polímero adequado é injetado. Assim, as características do tecido permanecem inalteradas e o processo de putrefação é totalmente interrompido.


Desta maneira, foi criado o Body Worlds, The Anatomical Exhibition of Real Human Bodies, uma exposição, cujo objetivo principal é a educação: conhecimento da constituição do corpo e do conceito de saúde (ao revelar e comparar um órgão doente). Atualmente, há 3 programas diferentes (Body Worlds, Body Worlds 2 e Body Worlds 3) que viajam simultaneamente o mundo.


Ainda mais detalhado, em uma abordagem microscópica, agora de espécies completamente diferentes: a revista BMC Cell Biology elege mensalmente a melhor imagem. Em Outubro, a escolhida representa o momento da mitose em uma célula de alga, proveniente do artigo de Peters et al. denominado ‘Kinesin-5 motors are required for organization of spindle microtubules in Silvetia compressa zygotes’.
E como não poderia deixar de ser, preciso falar da Matemática...que tal pensarmos nas tesselações. Tal conceito pode ser entendido como “ladrilhar”, ou seja, preencher um plano com um mesmo padrão que se repete sucessivamente, sem que sobrem espaços vazios.
Em termos artísticos, o fez lembrar de alguém? Se pensou em M. C. Escher, acertou na mosca. Ele é considerado o maior divulgador da moderna tesselação. Assim como na pintura, a tesselação pode ser aplicada no Origami, tornando-se, inclusive, tridimensional. O professor de matemática da UnB, Jorge Lucero, dedica-se, como hobby, à arte; e, apresenta aqui seus trabalhos.
Finalizando, gostaria de lembrá-los que hoje nós comemoramos o Dia Mundial de Doação e Transplante de Órgãos. No ano passado, durante o meu curso de formação em Jornalismo Científico, no Labjor (Unicamp), foi-nos proposta a criação de uma campanha com tal tema. Disso surgiu uma HQ (que eu criei) que, provavelmente, se tudo transcorrer como esperado, as pessoas poderão ler em um livreto. Torcer para que isso ocorra também é uma forma de cooperar! ;0))



Escrito por Silvia Cléa às 22h13
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Um livro de brinquedos

Dia das Crianças – jogada de marketing que deu certo! Como está recente, a data é propícia para a reflexão: escolher um brinquedo adequado não é tarefa nada trivial, não é? A indústria de brinquedos bombardeia a cabeça das crianças no período prévio, de uma tal maneira, que elas nem sabem para que serve o brinquedo que pediram. Os pais e parentes, então, viram cordeiros em meio a matilhas de vendedores alucinados, repletos de porquês abstratos e ininteligíveis.
Foi exatamente pensando em se dirigir ao público de adultos interessados em conhecer mais sobre os brinquedos e as necessidades das crianças, que André Zatz, Sérgio Halaban e Silvia Zatz escreveram “Brinca Comigo!” (Ed. Marco Zero), para que pais possam decidir qual brinquedo comprar, levando em conta o que é bom para a criança, ao invés do apelo dos comerciais. Ao mostrar aos adultos quais os tipos de brinquedos existem e que tipo de habilidade cada um estimula ou exercita, o pai fica mais preparado para oferecer à criança uma variedade real de brinquedos (o ideal é que ela brinque com todos os tipos).
Contudo, não basta dar os melhores brinquedos. O melhor de tudo é a interação: mas e a disponibilidade de tempo? No livro, há também dicas de atividades que podem ser desenvolvidas até dentro da rotina do cotidiano e sem brinquedos! (como durante uma ida ao supermercado).
Não foram esquecidos aspectos como segurança, como encontrar o brinquedo certo para cada criança e como organizá-los em casa. Claro que, nem sempre se têm as respostas ou soluções. Há questões que são muito mais complexas e que os autores convidam os adultos-leitores para uma reflexão conjunta.
A parte da pesquisa (realizada, essencialmente, por André e Sérgio) trouxe dados curiosos como a história do ioiô (conhecido desde a Antiga China) e os piões (encontrados em escavações arqueológicas na Babilônia).
Resumindo, o livro é uma reflexão sobre o brincar e o brinquedo, em que os autores mostram que brincar é essencial. Além de divertir, faz com que a criança aprenda e desenvolva habilidades de forma prazerosa.
André e Sérgio são inventores de jogos há 10 anos. O jogo mais recente que inventaram (“Hart an der Grenze”, Kosmos), lançaram-no primeiro na Alemanha (o templo da excelência em termos de jogos de tabuleiro) e o jogo foi recomendado no campeonato de lançamento de jogos daquele país (SdJ 2006). No Brasil, recebeu o nome “Perto da Fronteira”, Estrela.
Silvia, responsável pela redação final, é escritora reconhecida, com vários livros publicados, a maioria deles pela Companhia das Letrinhas. 

Aquisição fundamental para todos que temos crianças por perto: pais, tios ou avós! Aproveitem o lançamento, que é amanhã (20/10) às 19 hs, na Livraria Nobel do Shopping Center 3 / Av. Paulista, 2064, lj 01. Ótima oportunidade para conversar com os autores! ;0))

 



Escrito por Silvia Cléa às 00h04
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Semana Nacional de C&T

            A partir de hoje a comunidade científica brasileira está empenhada em mostrar, principalmente, às crianças e adolescentes, como é gostoso fazer ciência! As novidades da pesquisa científica serão expostas de maneira que a criatividade e a inovação sejam valorizadas.

            O intuito é mostrar que a ciência está imbricada em seu cotidiano e que a atitude científica, que requer curiosidade e vontade de conhecimento, além de método, é acessível e está muito distante do conceito de entediante.

            Clique aqui para ver a programação e saber todos os detalhes.

 



Escrito por Silvia Cléa às 16h37
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Debatendo a blogosfera

Enquanto nós enforcamos o feriadão, os portugueses aproveitam o período para discutir sobre a blogosfera: acontece na Universidade do Porto o Encontro sobre Weblogs (o 3º nacional e o 1º luso-galaico).

São muitos os aspectos discutidos da abrangência dessa nova mídia, enfatizando os tópicos Educação, Sociedade e Jornalismo. Foram discutidas as possíveis aplicações dos blogs desde os primórdios do ciclo básico (nosso Ensino Fundamental) até o ensino universitário. Destaque-se a organização de uma mesa de discussão em que se observa a utilização da mídia para pensar criticamente a Educação (sob a coordenação de Isabel Reis / sessão F, às 15:30 h de 14.10).

Quanto aos aspectos sociais, foram abordados aspectos essenciais como cidadania e participação, política, esfera pública, simulação e simuladores. Além da questão da fragmentação do espaço público; e, do convívio social.

Os blogs brasileiros foram pensados e debatidos no tópicoOs blogs e a prática do jornalismo no Brasil - Uma reflexão sobre os meios, as linguagens e a cultura, apresentado por Mágda Cunha. O jornalismo também foi enfocado enquantoleitura de bolso’, em sua relação com outros meios e, especificamente para nós, que fazemos jornalismo científico, houve uma apresentação discorrendo especificamente sobre a relação dos blogs e o exercício do ombudsman de jornalismo científico (apresentado por Filipa Martins Ribeiro).

Finalizando, não foram esquecidos os casos práticos. Houve exposição de relatos de experiências e um painel de prestadores de serviços locais.



Escrito por Silvia Cléa às 12h05
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Inteligência: do cosmos ao gene

Com o intuito de vasculhar os meandros da inteligência, aconteceu no final de setembro, o I Simpósio Internacional de Neuropsicologia e Inteligência: um enfoque nas altas habilidades. Dentre outros, o evento foi importante por realizar a 1ª Videoconferência do Instituto de Psiquiatria, com a apresentação de Sara Henrysson Eidvall, de Estocolmo (Suécia), graças ao apoio da disciplina de Telemedicina (da FMUSP), do próprio Instituto de Psiquiatria e da Mensa Brasil.
O simpósio iniciou com a apresentação da definição de inteligência e da Teoria das inteligências múltiplas (segundo Gardner, 1983): lingüística, matemática, musical, espacial, corporal, intrapessoal, interpessoal, espiritual, naturalista e existencial (realizada pelo Dr. Daniel Fuentes).
Assim, partindo-se de um olhar mais “profundo”, a Dra. Bentrani, ao investigar o comportamento de gêmeos mono e dizigóticos, concluiu que existe um componente genético da inteligência, cujo fator de herdabilidade está em torno de 40 %.
O Dr. Phillip Shaw apresentou as conclusões de pesquisas que vêm realizando quanto à neuroanatomia da inteligência; revelando que esta é dinâmica. Evidenciou também que há diferenças em relação aos sexos: quanto ao tamanho, volume, hemisfério esquerdo e área da fala. As mulheres apresentam volume e espessura cortical menores com pico prévio. Além disso, preocupou-se em definir um modelo típico de desenvolvimento cerebral: aquelas áreas do córtex onde se dão as funções básicas (córtex primário / unimodal) são desenvolvidas inicialmente, em relação ao córtex integrativo / heteromodal (onde acontecem as relações de associação).
Houve discussão sobre os aspectos de personalidade, adequação social e auto-estima dos superdotados. Os seguintes traços de temperamento (heredogenéticos) foram expostos como característicos: constante busca por novidades, curiosidade, ousadia, menor arregimentação a regras, impulsividade, preocupação antecipatória, tolerância à frustração, energia para solucionar problemas, elevada persistência. Apresentando, no entanto, aspectos psicopatológicos de impulsividade, obsessão e independência; contudo, aquem de um transtorno, como explicou o Dr. Daniel Fuentes.
Quanto à adequação social, foram analisados os seguintes aspectos: trabalho, vida familiar, relação parental, vida social e lazer, situação financeira e relação marital; as conclusões a que chegou a psicóloga Danielle Rossini revelaram: não há diferenças entre os superdotados e a população controle (indivíduos com QI dentro da faixa considerada normal) em termos de relação parental; e, o único tópico que os superdotados tiveram melhor performance foi a situação financeira. Salienta a psicóloga que, apesar de terem obtido pior pontuação nos demais índices, os resultados não foram suficientes para que a população estudada pudesse ser considerada como de “desajustados”.
Fechando as discussões da mesa, foram apresentados os resultados do trabalho sobre auto-estima, realizado pela psicóloga Patrícia Rzezak, que, após aplicar o Inventário de Temperamento e Caráter (Cloninger et al), encontrou todas as respostas significativamente alteradas, concluindo que o grupo apresentava baixa auto-estima, com atribuição de culpa aos demais e eram socialmente dependentes. Contundo, tais números ainda estavam dentro dos limites do saudável, portanto, deveriam ser interpretados como uma “tendência”!
Finalizando o bloco dos aspectos biopsicológicos, foram expostas a questão da criança: cujo intuito não é “medir” QI, mas identificar, avaliar e presumir déficits específicos ou atrasos (segundo exposição da Dra. Mônica Carolina Miranda); e, dos idosos: que devem ser avaliados no aspecto de um envelhecimento cognitivo, cuja plasticidade neuronal, exercícios físicos, atividades ocupacionais, genética, qualidade de vida e aspectos sociais devem ser abordados e compreendidos no âmbito do referido envelhecimento (no entender da Dra. Jacqueline Abrisqueta-Gomez).
Para inaugurar a videoconferência, a psicóloga Sara Eidvall apresentou os tipos de liderança e as características do que se poderia denominar de ‘líder do momento’: extrovertido, consciente, mente aberta, com baixo neuroticismo (tendência à ansiedade, raiva ou depressão) e acolhedor de opiniões alheias. Finalizou sua apresentação mostrando um estudo de meta-análise realizado por Judge et al, em 2002, a respeito de ‘Personalidade e Liderança’, cujas capacidades cognitivas para solucionar problemas sem conhecimento prévio, pensamento lógico-analítico, QI e capacidade geral (em que são avaliados todos os tipos de capacidade mental: verbal, espacial e numérica) foram analisados e mensurados.

Escrito por Silvia Cléa às 01h45
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Outro aspecto bastante explorado durante o simpósio foi a questão educacional. Através de ações governamentais (resoluções e pareceres) a chefe de gabinete Valéria Rangel mostrou o que foi feito, em 2005, para ser implantado o programa brasileiro de Inclusão Educacional dos Superdotados, cujo objetivo é identificar, promover a inserção e disseminar conhecimentos através de sites educacionais, comunidades escolares e familiares; atuando junto ao aluno (tentar solucionar suas necessidades especiais, promover criatividade e solucionar eventuais problemas), aos professores (proporcionar formação e recursos didáticos/pedagógicos) e aos familiares (compreender o comportamento dos filhos e melhorar a relação interpessoal).
Durante a apresentação da mesa “Inteligência e Educação”, o prof. Leandro Diniz apresentou estudos sobre a dificuldade de aprendizagem, dando ênfase aos aspectos de individualização do suporte educacional (estratégia para reverter problemas, compensar dificuldades e investir em talentos). Quanto à criatividade, Janaína Panizza mostrou que tal é fruto de um conjunto de aspectos ambientais e individuais, que vão refletir os interesses pessoais (particulares, específicos).
Detalhado relato de capacitação de professores foi apresentado pela Dra. Márcia Hartmann, fruto de seu projeto-trabalho em uma escola de Ensino Fundamental de Cotia, cujo objetivo era atender as necessidade educacionais das crianças superdotadas. Para tanto, foram trabalhados grupos de professores, coordenadores, pais e outros profissionais (que também atuavam na escola). Foram triados alunos com características de comportamento; e, apresentados vários modelos de atividades: Enriquecimento (modelo triático de enriquecimento), Aceleração, Segregamento; Programa Contínuo de Atividades; e, Modelo do Aprendiz Autônomo (Betts).
Finalizando, Cristine Conforti apresentou a experiência desenvolvida com técnicas de trabalho do sistema numérico como base do raciocínio lógico no processo de alfabetização e pensamento formal.
Embora não tenha sido a última palestra, achei que ficava muito bem posta aqui, para que fiquemos com esta idéia de busca:
Quando se pensa em vida, sob um enfoque estritamente biológico, deve-se questionar a respeito de conteúdo, produção e auto-replicação; além de seus componentes essenciais; e, caso seja necessário, qual o seu componente líquido. Tais perguntas são fontes de pesquisa da Astrobiologia, área do conhecimento transdisciplinar, que envolve da astronomia à microbiologia. Segundo o Dr. Amâncio César, ao se procurar por vida extraterrestre, há 3 níveis possíveis: cosmos, galáxia e estrela. Como para nós, as moléculas orgânicas são compostas por C, H, O e N; ao procurarmos por vida, utilizamos tais compostos como “iscas”.
Em termos universais (cosmos) a vida é procurada através da emissão de ondas, ou seja, pelo espectro característico de tais moléculas. Para a galáxia, há uma certa zona considerada ideal para que surja “vida” (não pode ser, p.ex. uma zona em que haja nem muita, nem pouca violência/explosão de supernovas); e, nas estrelas, próximo é muito quente e, distante é muito frio, denotando também que deve haver um meio termo, ou zona de excelência. Há uma corrente de cientistas que defendem a idéia que os compostos orgânicos presentes na Terra são formados, em grande parte, no espaço.
Encerro, então, o relato deste simpósio sobre inteligência com perguntas: procuramos vida em outras plagas (será?); mas insisto em saber o que faremos (ou estamos fazendo) com a nossa, a daqui...
A mim, não me parece uma atitude lá muito inteligente.

Escrito por Silvia Cléa às 01h44
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