A Vida Imita a Arte
(AP)
É 1º de Novembro. Ele acabara de deixar Hamburgo. Sua fome lancinante o faz entrar no Itsu londrino, se recostar ao balcão e diringindo-se ao sushiman, pede o seu rolinho predileto... Após alguns dias o espião russo está internado com evidentes provas de intoxicação exógena por polônio-210. E, então, sua morte sobrevém. Em um momento exemplar do humor britânico, o proprietário do restaurante comenta, que para o próximo ano, pensa em acrescentar um novo item ao cardápio: “Rolinho de Polônio” (em uma tradução livre). O trecho acima poderia ser o início de algum filme de ficção, mas, dessa vez, trata-se de realidade. O espião em questão é o russo Alexander Litvinenko. Curiosamente, ao contrário do restante do planeta, parece que a imprensa brasileira não deu muita importância ao fato, sequer a comunidade científica viu oportunidade para:
Falar sobre Marie e Pierre Curie, físicos a quem se atribui a descoberta do elemento químico Polônio, em 1898 (cuja denominação faz homenagem ao país); Descrever as propriedades físico-químicas do polônio, que é um elemento radioativo; e, principalmente seu isótopo 210, que é um metal volátil, de baixo ponto de fusão (que, após 45 hs, evapora metade de seu conteúdo), cuja meia-vida é de cerca de 138 dias; este metalóide tem um elevado poder de radioatividade: 1 mg de polônio-210 emite tantas partículas alfa quanto 5 g de rádio. Um único grama de polônio-210 gera 140 watts de energia térmica; Apresentar as aplicações cotidianas do polônio, como material anti-estático, nas indústrias de laminação de papel, de plásticos e na indústria têxtil; em filmes fotográficos; na velas de ignição; e, também, em satélites artificiais. Tal composto é produzido na Rússia e vendido aos EUA (cerca de 8 g/ano); Contudo, pode ser facilmente adquirido pela Internet! Há firmas nos EUA que o fazem legalmente, por U$ 69, veja aqui; Comentar sobre as características da autópsia de Litvinenko, que necessitou de medidas especiais, pelo fato de o elemento ser altamente radioativo e tóxico, mesmo o manuseio de pequenas quantidades (micrograma) requer a utilização de equipamento especial, usado em procedimentos restritivos, o que é extensivo às peças e secreções, que são consideradas potencialmente contaminadas e, portanto, exigem também os cuidados particulares quanto ao uso de vestimenta e aparelhagem (macacão com capuz e respirador). Após a coleta do material do fígado, baço, rim, pulmão e outros tecidos, é necessário massetá-los o suficiente para transformar em um macerado; então, coloca-se em um alfa-espectofotômetro, para avaliar a dosagem e a condição (se particulada ou solúvel) de polônio-210 recebida; combinado com testes para beta e gama emissões (a fim de verificar a presença de outros elementos radioativos e apontar a fonte de origem do polônio utilizado); Listar os sinais e sintomas da intoxicação por polônio: queda de cabelo, desidratação, vômito, leucopenia grave (como em qualquer quadro de envenenamento por substância radioativa); Informar detalhes sobre a ingestão, que deve ser feita na forma de um sal (p. ex. nitrato de polônio) – pois o referido isótopo é impermeável à maioria dos materiais, inclusive à pele humana, portanto, o espião poderia inalar ou ter sido injetado com a substância – na versão ingerida (como foi o caso em questão, que tem a vantagem de ser imperceptível ao paladar), se a dose é alta o suficiente, a morte pode ser imediata; se for um pouco menor, contudo, pode causar a destruição da parede intestinal e a morte após, cerca de 5 dias; se as doses forem menores, há destruição da medula óssea e uma síndrome característica se desenvolve, com o mal funcionamento progressivo de vários órgãos, acúmulo nos rins e no baço e, conseqüente morte, que pode demorar até 30 dias, geralmente por Insuficiência Cardíaca; Dentre os inúmeros produtos químicos que são misturados ao tabaco, especificamente ao alcatrão, o polônio-210 em questão é um dos componentes do cigarro; Veja aqui;
Bem, além de tais aspectos científicos, há outros, impenetráveis e não tão sem conseqüências. Mas este não é o espaço adequado para tal...De minha parte, fica a indicação de leituras: a científica e a subliminar. Boa aventura!
Escrito por Silvia Cléa às 18h51
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Sinais de fumaça!?

A maioria das pessoas desconhece o fato de que médicos especialistas têm muito a ensinar aos colegas, quer sejam generalistas ou especialistas em outros assuntos. Foi exatamente pensando nesta prática tão comum dentro dos muros das escolas médicas e que continua em alguns dos mais conceituados hospitais nacionais, que um grupo de médicos, essencialmente psiquiatras, reuniu-se para editar o livro “Tabagismo: dos Fundamentos ao Tratamento” (Lemos Editorial), cujo lançamento ocorreu nesta semana. O livro, como referido acima, tem como público-alvo a própria categoria, procurando esclarecer de maneira clara, sucinta e atualizada a questão da dependência do tabaco em nosso meio. São 15 capítulos que abrangem: os aspectos históricos, epidemiologia, formas de controle, características farmacológicas, o diagnóstico da dependência nicotínica, comorbidades psiquiátricas, doenças clínicas relacionadas, tratamento (farmacológico e não farmacológico), o tabagismo em populações específicas (adolescentes, gestantes e idosos), a questão do fumo passivo e aspectos preventivos. A maioria dos 16 médicos e psicóloga autores do livro são pesquisadores de longa data na área, cujo trabalho desenvolvem (ou desenvolveram) junto ao GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Como especificado, através desta publicação, querem compartilhar o conhecimento adquirido, não se prestando a esgotar o tema, antes de tudo a alertar os colegas à questão do tabagismo, como profissionais.
Escrito por Silvia Cléa às 20h02
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